Mais de 1 a cada 7 alunos reprova ou desiste no 12.º ano
outubro de 2026
De acordo com os dados da Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciências (DGEEC), 3,6% dos alunos não transitaram ou concluíram o ensino básico no ano letivo de 2024/25. No caso do ensino secundário, o insucesso escolar foi mais expressivo com 8,8% dos alunos a reprovar ou a desistir neste nível de escolaridade.
A taxa de retenção ou desistência reduziu em ambos os níveis de escolaridade em 2024/25
Nos últimos anos, as taxas de retenção e desistência têm apresentado uma tendência de subida nos diferentes níveis de ensino. Esta evolução está, em parte, associada às alterações nos métodos de avaliação introduzidas durante a pandemia, que contribuíram para uma redução significativa destas taxas, sobretudo nos anos letivos de 2019/20 e 2020/21. Com o regresso gradual aos métodos de avaliação tradicionais, as taxas voltaram a aumentar, particularmente a partir de 2021/22.
Em 2024/25, pela primeira vez desde o período pandémico, registou-se uma diminuição da taxa de retenção e desistência tanto no ensino básico como no ensino secundário. A descida foi mais expressiva no ensino secundário, onde a percentagem de alunos que não transitaram de ano ou abandonaram os estudos passou de 9,6% em 2023/24 para 8,8% em 2024/25, uma redução de 0,8 pontos percentuais. Esta evolução deveu-se, sobretudo, à diminuição acentuada da taxa de retenção e desistência nos cursos tecnológicos e profissionais, que recuou 3,1 pontos percentuais, fixando-se nos 7,5% — o valor mais baixo da última década. Em sentido contrário, os cursos científico-humanísticos registaram um aumento de 0,6 pontos percentuais, atingindo uma taxa de 9,6%.
No ensino básico, a redução foi mais moderada, com a taxa de retenção e desistência a diminuir 0,3 pontos percentuais para 3,6% em 2024/25. A descida foi mais acentuada no 3.º ciclo, onde a taxa recuou 0,5 pontos percentuais, para 5,7%, enquanto no 2.º ciclo diminuiu 0,3 pontos percentuais, fixando-se nos 3,6%. Já no 1.º ciclo, não se registaram alterações, mantendo-se a taxa de retenção e desistência nos 1,9%.
O insucesso escolar continua a afetar mais os rapazes do que as raparigas em todos os níveis de ensino
O insucesso escolar é mais prevalente entre os rapazes do que as raparigas, tanto no ensino básico como no ensino secundário.
As diferenças entre os dois géneros tendem a acentuar-se à medida que se avança nos níveis de ensino. No ensino básico, a taxa de retenção e desistência foi de 4,1% entre os rapazes e de 3% entre as raparigas, correspondendo a uma diferença de 1,1 pontos percentuais. Esta disparidade é particularmente evidente no 3.º ciclo, onde a taxa atingiu 6,8% nos rapazes, face a 4,6% nas raparigas, uma diferença de 2,2 pontos percentuais.
No ensino secundário, verifica-se a mesma tendência, com os rapazes a apresentarem uma taxa de retenção e desistência de 9,7%, enquanto entre as raparigas o valor se fixou nos 7,9% (diferença de 1,8 p.p.). No caso dos cursos científicos-humanísticos, o insucesso escolar dos rapazes (11%) foi mais acentuado, com a taxa de retenção a situar-se nos 2,5 pontos percentuais acima das raparigas (8,5%).
Algarve, Açores e Península de Setúbal apresentam as taxas mais elevadas de retenção e desistência
As taxas de retenção e desistência variam significativamente entre as diferentes regiões do país, refletindo diferenças nos níveis de sucesso escolar.
Em 2024/25, apenas as regiões Norte e Centro registaram taxas de retenção e desistência inferiores à média nacional, tanto no ensino básico como no ensino secundário. O Norte destacou-se como a região com melhores resultados, apresentando as taxas mais baixas de insucesso escolar: 1,7% no ensino básico e 6% no ensino secundário.
Em contraste, a Região Autónoma dos Açores, o Algarve e a Península de Setúbal registaram os indicadores mais desfavoráveis, com as taxas de retenção e desistência mais elevadas do país. Nestas regiões, os valores ultrapassaram os 5,2% no ensino básico e os 12,4% no ensino secundário.
14,8% dos alunos do 12.º ano não transitaram de ano ou desistiram em 2024/25
O 12.º ano registou a taxa de retenção e desistência mais elevada entre todos os anos de escolaridade. Em 2024/25, 14,8% dos alunos — cerca de um em cada sete — não concluíram o último ano da escolaridade obrigatória com sucesso. Esta percentagem foi mais elevada no ensino público (16,1%) em comparação com o ensino privado (10,7%).
Para além do 12.º ano, também o 10.º ano (8%), o 7.º ano (6,4%) e o 9.º ano (6%) apresentaram taxas de retenção e desistência iguais ou superiores a 6%. Em contrapartida, no 1.º, 3.º e 4.º anos, menos de 2% dos alunos ficaram retidos ou desistiram.
Em todos os anos de escolaridade, as taxas de retenção e desistência foram superiores no ensino público, por comparação com o privado. As diferenças foram particularmente expressivas no 7.º, 9.º, 10.º e 12.º anos, ultrapassando os 4 pontos percentuais. Já no 3.º e 4.º anos do ensino básico e no 11.º ano do ensino secundário, as discrepâncias entre os dois tipos de ensino foram inferiores a 2 pontos percentuais.
Face a 2023/24, a taxa de retenção e desistência diminuiu na maioria dos anos de escolaridade. As descidas mais significativas ocorreram no 10.º ano, com uma redução de 2,9 pontos percentuais, e no 11.º ano, com menos 1,3 pontos percentuais. Em sentido contrário, o 2.º ano registou um ligeiro aumento de 0,2 pontos percentuais, enquanto no 12.º ano se verificou uma subida expressiva de 2,5 pontos percentuais, passando de 12,3% em 2023/24 para 14,8% em 2024/25.
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