EDUSTAT - Mobilidade e desigualdades regionais continuam a condicionar o acesso ao ensino superior

Mobilidade e desigualdades regionais continuam a condicionar o acesso ao ensino superior

janeiro de 2026

O mais recente estudo publicado pelo EDULOG, “Desigualdades Regionais e Mobilidade de Estudantes no Acesso ao Ensino Superior”, analisa as desigualdades regionais e a mobilidade dos estudantes no acesso ao ensino superior ao longo da última década. Baseado em dados administrativos de cerca de 724 mil diplomados do ensino secundário residentes em todos os municípios de Portugal Continental, o estudo recorre a um modelo gravitacional para estimar os fluxos de entrada nas diferentes instituições de ensino superior.

A investigação evidencia que, apesar da expansão e massificação do ensino superior, a mobilidade estudantil permanece fortemente condicionada por fatores socioeconómicos e territoriais, que continuam a moldar o acesso, o sucesso e a distribuição regional do capital humano.

O estudo conclui que a distância é um dos fatores mais penalizadores da mobilidade dos estudantes, reduzindo significativamente os fluxos, sobretudo entre os diplomados de cursos científico-humanísticos. Já os diplomados de cursos profissionais tendem a realizar percursos mais curtos e concentram as suas escolhas em instituições politécnicas e opções de proximidade.

As condições socioeconómicas, bem como a presença – ou ausência – de instituições de ensino superior no município de origem revelam-se igualmente determinantes nas decisões de candidatura. Também as perspetivas salariais e os custos de vida nos municípios onde se encontram as instituições exercem um papel crucial nessas escolhas.

Nas áreas metropolitanas, onde a oferta é mais ampla e diversificada, os estudantes revelam uma maior sensibilidade à distância. Já nos territórios do interior, a mobilidade é frequentemente uma necessidade, devido à escassez de alternativas locais, levando muitos estudantes a percorrer distâncias mais longas.

Ainda segundo a análise, as universidades de grande dimensão, bem como as instituições com especializações em determinadas áreas, conseguem atrair estudantes além da sua região. Em contraste, os institutos politécnicos continuam a afirmar-se essencialmente como uma opção de proximidade.

Este enquadramento, conclui o estudo, evidencia um duplo desafio nacional: garantir que a origem geográfica não condiciona o acesso ao ensino superior e promover uma maior eficiência do sistema, reduzindo custos e mitigando o risco de abandono.



Estudar Medicina depende mais das condições socioeconómicas

O estudo faz, ainda, uma análise específica ao curso de Medicina, que acolheu, em média, apenas 2% dos diplomados que prosseguem para o ensino superior, um sinal da elevada seletividade e da forte concentração institucional.

Os resultados mostram que um aumento de 10% na distância entre o município de origem e a instituição de ensino superior traduz-se numa queda de apenas 1,5% nos fluxos de entrada, cerca de metade do observado no conjunto dos cursos científico-humanísticos. A menor sensibilidade à distância evidencia a forte atratividade de Medicina, cujos elevados retornos e prestígio levam os estudantes a aceitar maiores custos de deslocação, atenuando o efeito dissuasor da distância.

Pelo contrário, os fatores socioeconómicos revelam um peso significativo. Um aumento de 10 p.p. na proporção de alunos que frequentam o ensino secundário privado está associado a um acréscimo de 3% nos fluxos para Medicina.



EDULOG apresenta recomendações para reduzir as barreiras territoriais

Com base na evidência recolhida, o EDULOG sublinha a necessidade de reforçar políticas públicas que reduzam as barreiras territoriais e evitem que a diferenciação institucional aprofunde as desigualdades existentes, nomeadamente através de apoios diferenciados à mobilidade; o reforço do ensino superior no interior em áreas estratégicas, como a saúde, a tecnologia e as energias renováveis; e a mitigação da desigualdade económica, através da monitorização de desigualdades no acesso consoante o background escolar e do reforço dos mecanismos de ação social escolar.

Além disso, o EDULOG sugere o ajustamento da oferta territorial e institucional e a monitorização da transição para o mercado de trabalho, designadamente através do acompanhamento de salários, estabilidade e progressão.

A consultar:
“Desigualdades Regionais e Mobilidade de Estudantes no Acesso ao Ensino Superior”